
O programa de televisão Big Brother Brasil é um “reality show” onde catorze pessoas ficam confinadas numa casa e vigiadas 24 horas por dezenas de câmeras. O jogo acaba quando é escolhido o vencedor dentre os três finalistas que conseguirem permanecer no local até o último dia. Cada participante entra na casa pensando em duas estratégias para levar o premio de R$ 1 milhão.
A primeira é se dar bem nas provas para conseguir imunidade, evitar punições e escapar do paredão. As festas temáticas embaladas com muita música e bebida às quartas (dia seguinte à eliminação) e nas noites de sábado, são momentos propícios para arquitetar conspirações e engatar namoros para pô-los em evidência.
A segunda é ganhar a simpatia do público (o Big Brother), cujo papel é acompanhar toda movimentação dos brothers e definir pelo voto (mais de 20 milhões) quem merece ficar ou não na casa, de acordo com suas preferências pessoais.
Aqui surge uma questão. Como julgar pessoas que sabem que estão sendo filmadas 24 horas? Ninguém age naturalmente nessas condições. É claro que cada um tenta passar a melhor imagem pessoal a fim de ganhar o coração do telespectador.
A obra “1984” de George Orwell que inspirou esse programa, descreve como as pessoas fingiam ser o que não eram para não levantar suspeitas do olhar hipnótico do Big Brother.
O Big Brother orwelliano objetiva estabelecer um governo totalitário e falsificador na História somado ao controle absoluto sobre espaços privados e públicos sob o olhar da “teletela” (espécie de aparelho de vídeo e áudio, conectado on line ao governo).
Criou-se uma extraordinária máquina administrativa que sustentava a mística do Partido e impedia a percepção da verdadeira natureza da sociedade. Essa estrutura maquiavélica conduzia as pessoas impreterivelmente à alienação em três aspectos.
Primeiro, a alienação mental. A grande massa de seres humanos era mantida ignorante, empobrecida e iludida pelas informações adulteradas. Freqüentemente as novas edições de periódicos e livros eram lançadas a fim de ocultar fatos lesivos ao Big Brother e ao Partido. Palavras da Novilíngua (novo idioma) como “duplipensar”e “crimedeter”eram expressões claramente criadas para restringir a capacidade crítica e ação da população.
Segundo, a alienação social. Toda pessoa condenada por ofensas ao regime era “vaporizada” (eliminada), tornando-se “impessoa”, ou seja, inexistente. “Ninguém mais ousa confiar na esposa, no filho ou no amigo. Mas no futuro não haverá esposas nem amigos. As crianças serão tomadas das mães ao nascer, como se tiram os ovos da galinha”, explica O’ Brien, importante membro do Partido. As relações humanas não seriam mais regidas pelo amor, mas pelo medo.
Terceiro, a alienação espiritual. O Big Brother era considerado infalível, onipresente e jamais foi visto pessoalmente.
Esta foi a forma como o Partido resolveu se apresentar ao mundo. É muito mais fácil sentir amor, medo, reverência por um indivíduo do que a uma organização. Os bons resultados eram diretamente atribuídos ao Big Brother, que era adorado como divindade. Grandes cartazes espalhados pela cidade destacavam a máxima: “O Big Brother zela por ti”. Em retribuição ao “zelo”, todos deveriam amá-lo acima de todas as coisas. De fato, após a lavagem cerebral, mesmo os rebeldes passavam a amá-lo lamentando profundamente a infidelidade passada.
O pobre Winston Smith, personagem central é preso e sofre castigos brutais impostos pelo regime totalitário. Seu corpo trazia as marcas da tortura. Seu rosto, antes jovial, assumiu aspecto deprimente e melancólico. Winston tornou-se apenas invólucro de homem. Agora aceita a “verdade” do Big Brother. Continua vivo, mas vazio, com fidelidade cega ao grande lider.
Embora o Big Brother dessa metáfora seja fictício, não podemos dizer o mesmo do Big Brother cujo aparecimento foi previsto por Jesus. Trata-se do Anticristo. Jesus descreveu sua revelação (Mt 24) num futuro ainda distante de sua época, porém, à medida que avançamos no tempo a realidade dessa figura escatológica se evidencia visto que a iniqüidade que ele incorpora já opera secretamente. Podemos perceber sua influência subversiva ao nosso redor nos diversos movimentos sociais.
Em primeiro, na instancia ateísta do humanismo secular. O filósofo americano Sam Harris, por exemplo, na obra “Carta a uma Nação Cristã” diz que a fé é, intrinsecamente, um elemento que divide, interdita o diálogo, construída sobre mentiras e torna as pessoas impermeáveis a novos argumentos.
A fé cristã não é nem credulidade, nem superstição, nem uma crença ilógica na ocorrência do improvável, mas uma confiança calma e refletida em Deus, que é confiável. A fé vai além da razão, mas fundamenta-se nesta. Conhecimento é a escada por meio do qual a fé sobe mais alto.
Em segundo, nas tendências totalitárias das ideologias extremistas de esquerda e de direita. Hitler, Stalin e Mao Tsé-tung, são exemplos líderes com perfil do Anticristo. Juntos eles levaram a morte mais de 100 milhões de pessoas por responsabilidade direta. Esses algozes se diziam ateus e nada havia que pudesse deter seus objetivos pessoais mostrando que o fanatismo independe de religião.
Em terceiro, no materialismo da sociedade de consumo que põe as coisas no lugar de Deus. Vivemos numa sociedade ávida por ter estilo de vida extravagante e luxuoso. Tanto ricos como pobres são capazes de dar a única vida que possuem em troca de seus “objetos do desejo”. Essa realidade pode ser percebida na violência, corrupção e impunidade que são subprodutos do amor ao dinheiro.
Em quarto lugar, nas teologias que proclamam a morte de Deus e o fim dos absolutos morais e na permissividade social que banaliza a vida humana, o sexo, o casamento e a família santificados, todos eles criados ou instituídos por Deus.
Assim, sem que muitos não percebam, as sociedades já estão sob a ação subversiva e olhar controlador do Anticristo. A palavra chave que tanto o Big Brother orwelliano como o Anticristo usam para subjugar pessoas e nações é o ENGANO. “Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos”, disse Jesus (Mt 24.10-12).
Sem dúvida, o quadro futurístico que Jesus nos apresenta é assustador. Mas o que devemos ter em mente é que a História não é uma sucessão de fatos aleatórios, mas está sob o comando de Deus. Depois da manifestação do Anticristo, por fim virá o tempo da retribuição, no qual o Senhor Jesus o derrotará e o destruirá, e aqueles que acreditaram na mentira do anticristo serão condenados e os que permanecerem firmes, estarão com Ele para sempre.
Concluindo, se você estiver sentado confortavelmente em seu sofá assistindo ao BBB, lembre-se de que você também está sendo monitorado e influenciado imperceptivelmente pelas forças malignas deste mundo.
Mais do que nunca devemos nos revestir da armadura de Deus (Ef 5.10-19), que nos protege do mal e nos mantém alerta. Vigiai e orai, disse Jesus.