A Lei de Gerson e a Aids ( Parte 2 )

A Campanha Nacional de Vacinação do Idoso de 2007 espera vacinar mais de 11 milhões de pessoas de 60 anos para cima. O Ministério da Saúde investiu 146 milhões de reais na campanha. Agora que está chegando o inverno, os idosos ficam mais vulneráveis ao vírus influenza, que é altamente contagioso. O vírus é disseminado por vias respiratórias, quando os indivíduos infectados o transmitem por meio de gotículas ao falar, tossir ou espirrar. A transmissão pode ocorrer também pelo contato com superfícies contaminadas. Portanto, é importante práticas simples de higiene como, por exemplo, lavar as mãos e arejar o ambiente.

A prevenção com a vacina é considerada a principal medida disponível para evitar a morbimortalidade e suas complicações pelo influenza. Como não há como evitar a exposição ao vírus, a melhor estratégia é prevenir.

Prevenção é também a palavra-chave adotada nas campanhas do Governo Federal contra disseminação do vírus HIV, causador da Aids. É uma campanha cara. Os gastos com a compra de anti-retrovirais vão atingir 984 milhões de reais este ano, ante 515 milhões em 2001. As compras de medicamentos cresceram 135% nos últimos dez anos, até 23,5 bilhões de dólares em 2006. A campanha age em três frentes: conscientização e esclarecimento; distribuição gratuita de preservativos e tratamento com vacinas aos doentes para lhes dar uma sobrevida. A Aids continua sendo incurável.
Diferentemente do vírus da gripe, a principal forma de contágio do HIV é a relação sexual. Entre 1980 e 2003, essa foi a forma de transmissão em 64% das notificações. O contato com sangue contaminado responde por 20%, e 3% dos casos ocorreram no pré-natal.

O contágio por relação heterossexual também é a principal causa de transmissão da doença entre as mulheres de 13 anos ou mais. Se entre os homens essa é a forma de transmissão em 58% dos diagnósticos, entre as mulheres o sexo responde por 87% da forma de contágio. De acordo com o boletim epidemiológico, a transmissão heterossexual vem aumentando entre as mulheres: de 71% do total de casos nesta faixa etária em 1992 para 94% em 2003.

Esses números (estatísticas e gastos) evidentemente nos levam a questionar as verdadeiras causas que levam a Aids avançar com tanta força em nosso país. No inicio, dissemos que o vírus da gripe (influenza) se transmite pela proximidade entre as pessoas. O portador do influenza pode contaminar num só dia centenas de pessoas. Basta ficar espirrando num ambiente fechado em meio a multidão. Portanto, a interação social propicia o ambiente ideal para a multiplicação de doentes.

A Aids também se espalha pelo contato pessoal. A diferença é que ela se multiplica aonde existe a interação sexual entre os diversos parceiros. É como o incêndio numa floresta. O fogo se alastra à medida que ela vai encontrando em seu caminho mais árvores e mato para alimentar suas labaredas. Por isso os bombeiros tentam extinguir o incêndio isolando a parte intacta da incendiada com barreiras.
Assim, se o soropositivo restringisse suas relações a um só parceiro e esse só com o primeiro, o vírus da Aids ficaria isolado entre eles. Ao longo do tempo o número de contaminados tenderia a se estabilizar e diminuir gradualmente.

Mas esse tipo de proposta é muito difícil de ser admitida e é pouco discutida. Há uma multiplicidade de fatores culturais, sociais, econômicos e políticos que acabam por dificultar ou inviabilizar uma mudança de atitude.

A diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão, afirma que “a camisinha é atualmente a forma mais segura e eficiente para evitar a disseminação sexual não só do HIV, como de outras doenças sexualmente transmissíveis para as pessoas com vida sexual ativa”.
Ela prossegue dizendo que “o Estado brasileiro é laico e a prática de abstinência e de autocontrole não são prerrogativas do Estado, mas questões de foro íntimo de cada pessoa, e de nenhuma forma podem servir de base na construção de políticas públicas”.

Ela tem razão quando diz que o Estado brasileiro é laico e a prática de abstinência e de “autocontrole” não são prerrogativas do Estado, mas “questões de foro íntimo”. De fato, ninguém tem nada a ver com nossas opções pessoais e nem como cada pessoa conduz sua vida sexual.
A questão é o que fazer quando aquilo que é de foro intimo foge do controle pessoal e passa a ser problema de saúde pública. Nesse caso, a solução é combater o efeito ou a causa?

O Brasil é campo fértil para a proliferação da Aids. Aqui é a terra do sol tropical, do carnaval, da malandragem, da descontração e da informalidade. Somos os detentores de estatísticas nada invejáveis. Somos campeões mundiais de prostituição infantil, do turismo sexual; um dos maiores exportadores mundiais de travestis. Apresentamos números de embasbacar em matéria de gravidez na adolescência.

Roberto Pompeu de Toledo definiu muito bem como lidamos com o sexo dizendo que “o sexo virou tabu - não porque não se possa falar nele, nem porque não se possa praticá-lo nas modalidades que fogem às mais ortodoxas, mas, ao contrário, porque é imprescindível falar nele, alardeá-lo o mais possível, escancará-lo no cinema, nas letras de música, nas revistas e na TV, e incentivar a sua prática seja em que modalidade for, homo ou hetero, por cima ou por baixo, sozinho ou acompanhado - é tudo normal, normalíssimo, reza a cartilha do nosso tempo. Sexo virou tabu ao contrário. É proibido proibir. Tentar conter seus sagrados impulsos é coisa de velho, atrasado, ‘careta’. É repressão. Censura”.

O presidente Lula falou, a seu modo, que o “sexo é uma coisa que quase todo mundo gosta e é uma necessidade orgânica, é uma necessidade da espécie humana e da espécie animal”. Termina o discurso dizendo que “sexo tem que ser feito e ensinado como fazer” (Dia Internacional da Mulher, em 07/03/07).

Nota-se, seguindo a linha de pensamento, que o sexo é considerado imprescindível, coisa que “quase todo mundo gosta” e “tem que ser feito”. Omitem-se as reais causas em nome da impacialidade do Estado. Muitas vezes até mesmo a própria realidade é redefinida.

Quando a Aids foi descoberta, falava-se em “grupo de risco”. Eram basicamente, os homossexuais e os usuários de drogas injetáveis. Hoje, fala-se em “comportamento de risco”. Entende-se por comportamento de risco: não usar camisinha, compartilhar seringas, fazer transfusão de sangue com vírus e compartilhar objetos perfuro-cortantes.

Veja que o "comportamento de risco" não é praticar sexo com diversos parceiros. Isso não é considerado errado. O erro, de acordo com a nova definição, é fazê-lo sem a devida proteção e cuidado.
Mas a verdade é que palavra “comportamento”, quando se refere a pessoas, sempre tem uma carga moral subjacente. Ela pede um adjetivo, ou seja, um indivíduo pode ter um comportamento que o caracteriza como sendo bom ou mau, honesto ou desonesto, digno ou indigno e assim por diante.
Assim, “comportamento de risco”, falando explicitamente, é a prática do sexo promiscuo, sem regras, irresponsável. É isso que vem causando a epidemia da Aids, não só no Brasil, mas em todo o mundo.

Esse jogo de palavras que acaba acobertando a realidade dos fatos lembra muito o romance “1984”. George Orwell faz um retrato sombrio do futuro da humanidade, que acabaria refém de uma espécie de supergoverno, o Big Brother. Esse governo controla tudo. Impõe para a sociedade um novo ethos verbalizado por uma nova língua, a "novilíngua", cuja semântica funcionaria às avessas.

Concluindo, a proposta de Jesus para extinguir a Aids e os demais males oriundos da promiscuidade sexual é que a sexualidade seja usada de um modo digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo. Somente praticado quando o indivíduo se sentir capacitado para assumir todas as responsabilidades que advém de uma união lícita (Mt 19.5).
Isso porque o que contamina o homem não é o que vem de fora, mas o que nasce do coração, ou, do subconsciente, como diria Freud, numa linguagem mais atual (Mt 15.18-20).Não dá para aplicar a Lei de Gerson na esfera sexual e sair incólume.
Para aqueles que querem sair dessa rede mortal, a palavra de Jesus é: “Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais (Jo 8.11)”.

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