Rouba, mas faz

Já virou folclore a famigerada frase atribuída a um famoso político paulista: “eu roubo, mas eu faço” ou em uma versão imperativa: “rouba mas faz”. Tal adágio traduz a idéia de que é mais importante e, talvez até mais válido, ser competente embora ladrão do que ser honesto, porém incompetente. Esse pragmatismo imoral tem anestesiado muitas consciências e levado muitos cristãos a se conformarem com a triste realidade da corrupção daqueles que nos governam, em todos os níveis, e não mais lutarem contra tal conjuntura.

É preciso encarar com seriedade tal situação. A desonestidade mina as boas obras, pois a intenção do coração é vil. Vale lembrar que Deus olha para o nosso coração e não para o exterior (1Sm 16:7). A validade da ação competente será (ao menos a médio e longo prazo) destruída pelos efeitos da corrupção. Uma obra pode ser importante para a população, mas se é superfaturada tomou dinheiro do povo que poderia ser empregada em outras obras. Se foi decidida com finalidades políticas, gerará dívidas de favores, perpetuando assim a corrupção. Além disso, a corrupção traz prejuízos espirituais que tendem a se alastrar como câncer. As gerações que sucedem irão fazer obras ainda piores, trazendo mais maldição para toda a sociedade. Até mesmo a suposta incompetência dos honestos deve ser questionada. Pois, uma sociedade corrupta cria esquemas para gerar todo tipo de impedimento a um dirigente honesto, fazendo-o passar por incapaz.

Estamos vendo a atual situação do Brasil com sucessivos escândalos de corrupção numa verdadeira conspiração. O atual presidente, inicialmente, alega na maior desfaçatez que não sabia de nada. Num segundo momento atreve-se a dizer que o seu partido faz o que todo mundo faz. Atualmente, cala-se diante dos escândalos que envolvem quase a metade do congresso além de diversos setores do executivo, para afirmar vitorioso que a economia vai muito bem. Trata-se da versão pós-moderna da idéia do “rouba, mas faz”. Como que dizendo: não importa tantos escândalos, tanta gente roubando, o que interessa é que a economia vai bem. Logo aparecerá um mais afoito para dizer: não se preocupem que a continuar assim, vai sobrar para todos poderem roubar um pouquinho... Para vergonha do povo de Deus e enxovalhamento do testemunho cristão, muitos dos envolvidos ostentam títulos de pastor e bispo. Será que adotaram uma versão religiosa do adágio: não importa que seja fruto de roubo desde que se dê o dízimo?

Precisamos ter a convicção de que a desonestidade e a corrupção são pecados aos olhos de Deus e, portanto, uma conduta inaceitável para o Seu povo. Mormente, nos casos de governantes e demais autoridades, constituem pecados de maior amplitude e alcance. Devemos crer que o próprio Senhor abençoa aquele que faz de sua profissão um ministério. Dando um testemunho de fidelidade e correção, “servindo de boa vontade como ao Senhor, e não como aos homens” Ef 6:7. Somos chamados a não tomarmos a forma do mundo Rm 12:2. Não adianta queremos ser santos e amar o mundo ao mesmo tempo – pois se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele 1Jo 2:15.

Para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrupta e perversa, entre a qual resplandeceis como luzeiros no mundo Fl 2:15

A PALAVRA DE DEUS

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