
O Brasil é um país de grandes contrastes. Um exemplo é a composição étnica do povo. A partir dos grupos básicos formados por nativos, africanos e portugueses, somaram-se a eles os imigrantes que vieram a partir da segunda metade do século XIX. Aqui encontramos brasileiros descendentes de famílias vindas dos quatro cantos do mundo.
A história da imigração no Brasil tem como principais causas o fator econômico e a busca por melhores condições de vida. A política nacional deu essa abertura motivada pela necessidade de recompor a força de trabalho da lavoura, que foi perdida com a abolição da escravatura. Vieram então os principais grupos liderados pelos os italianos, alemães e os japoneses.
A proeza dos imigrantes japoneses está completando 100 anos. Os imigrantes são vencedores nesta terra. Hoje, contribuem de diversas formas para o progresso do Brasil. Mas não foi nada fácil. Depararam com, pelo menos, quatro grandes desafios.
Primeiro, a distancia geográfica, cultural e lingüística. Eram literalmente opostos do Brasil e dos brasileiros. Isso tornava tudo mais complicado.
Segundo, as condições precárias de vida. Não havia assistência médica. As moradias eram improvisadas. A alimentação, nem fale. As baixas eram constantes, principalmente entre as crianças.
Terceiro, a política de imigração. Não havia unanimidade entre os políticos brasileiros. Muitos achavam que os japoneses eram muito diferentes. Inassimiláveis. Uma raça estranha ao corpo nacional. Um jornal local alertava ao povo do perigo da miscigenação. Temia-se o surgimento de aberrações humanas.
Quarto, a Segunda Guerra Mundial. Os japoneses, juntamente com italianos e alemães sofreram a política de segregação imposta pelo governo de Getulio Vargas. Suas contas bancárias foram confiscadas a titulo de compensação pelas perdas sofridas na marinha mercante. Foram isolados da sociedade. Para transitar pelo país, precisavam portar um salvo-conduto, que era emitido pela policia.
Mas nada disso os desviou do objetivo. Alguns foram buscando a realização de seus sonhos. Outros, um novo lar, que os recebesse de braços abertos. Deixaram tudo para trás, na certeza de que teriam algo melhor. Sem dúvida, foram grandes exemplos para nós.
A Bíblia nos mostra que nossa vida é muito semelhante a dos imigrantes pelo fato de estarmos em trânsito, de passagem nesta terra. Surge então a pergunta: Se aqui é um lugar provisório, em que direção caminho? Qual o destino? Que alternativas tenho? Todas essas questões povoam nossas mentes e nos causam inquietação.
A Palavra responde afirmando que há um reino onde todos são convidados a fazer parte. Um reino inaugurado por Jesus, o Rei dos reis. Um reino cujos extremos unem a terra aos céus. Parte desse reino existe neste mundo, mas a sua dimensão temporal e espacial ultrapassa os sentidos e o conhecimento humano, pois chegam aos lugares celestiais, reunindo o povo de Deus na sua plenitude e glória.
Nesse reino, que é chegado, prevalece a vontade do Senhor, tanto na terra como nos céus. Só ele é capaz de agregar os três poderes, ou seja, o judiciário, legislativo e o executivo com perfeição, “Porque o Senhor é o nosso juiz, o Senhor é o nosso legislador, o Senhor é o nosso Rei; ele nos salvará.” Is 33.22. Nesse reino não se produz, nem exporta manufaturados de alimentos ou bebidas, mas justiça e paz e alegria no Espírito Santo. Rm 14.17
Nesse reino só entra quem reconhece a sua pobreza e incapacidade entrar no reino por recursos próprios. De fato, o Rei já pagou a passagem e as dívidas (pecados) deixadas para trás. Só precisa crer e render-se à sua graça.
Como podemos, então, ter a certeza de que a terra prometida é o lugar que realmente vale a pena ir e que podemos desprezar as demais opções? A certeza está no fato de o Rei ter vindo pessoalmente anunciar e fazer conhecido o seu reino. Falou das coisas do seu reino porque veio de lá. Portanto, tem toda a autoridade sobre o assunto. Não se trata de especulação. Ele disse: Se vos falei de coisas terrestres e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais? Ora ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu. Jo 3.13,14
Assim, que tenhamos o mesmo sentimento de esperança e euforia, característico dos primeiros imigrantes japoneses. Esse sentimento está expresso num cartaz, de 1925, de uma companhia de imigração japonesa, no museu histórico da imigração, que dizia: "Sah ikou, ikká o aguête, Nambei-ê! -Agora vamos, levando a família, para a América do Sul!” Que esse brado também possa expressar nosso desejo de herdar o reino de Deus em sua plenitude.