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A Páscoa

“E a páscoa, a festa dos judeus, estava próxima.” João 6:4

A nossa fé é de origem judaico-cristã, expressão que compõe as duas fases do mesmo plano de Deus para a salvação da humanidade. A celebração da páscoa foi instituída pelo próprio Deus, a mais de 3500 anos, em memória da libertação do povo de Israel dos 400 anos de escravidão no Egito. “No mês primeiro, aos catorze do mês, pela tarde, é a páscoa do SENHOR.” Levítico 23:5 A palavra “páscoa” vem do termo hebraico “pessach” (פסח) e significa “passagem” (passar por cima, passar sobre). É a passagem da morte para a vida.

A narrativa bíblica dos capítulos doze e treze do Livro de Êxodo (“Shemot”, para os hebreus) descreve a origem desta celebração, e mostra o caráter de Deus e seu amor pelos homens. Inicialmente se revelou como o Juiz, pois naquela noite passaria através do Egito e feriria todo primogênito. Não haveria diferenciação entre homem ou animal; rico ou pobre; Egípcio ou Judeu. O juízo atingiria a todos sem exceção. Deus foi, é e sempre será o Juiz. Vejamos os ensinamentos do apóstolo Pedro: “Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo;” 1 Pedro 2:4. Ainda recordando o ensino dos escritor de Hebreus: “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo”. Hebreus 9:27

Todavia, para o juízo divino lá no Egito, havia apenas um escape determinado e provido pelo próprio Deus, que assim se revela aos homens como Redentor. A providência consistia em escolher um cordeiro, puro e sem manchas, e o sacrificassem. No versículo três diz que “cada um tomará para si”, ou seja, o sacrifício seria “em lugar de” quem sacrifica. Depois deveriam pegar o sangue do cordeiro e passar na verga (batente) da porta e também em suas ombreiras. Não deveriam sair de casa naquela noite, ou seja, deveriam refugiar-se sob o sangue do cordeiro para, quando o juízo de Deus viesse, ele passaria por cima, “pessach” - páscoa, e somente assim escapariam do juízo de Deus.

Tudo isso prefigurava a missão de Cristo a favor de toda a humanidade, conforme identificado por João Batista: “No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” João 1:29. Jesus Cristo não só realizou, mas foi o próprio sacrifício da páscoa, como salientou o apóstolo Paulo aos cristãos da cidade de Corinto: “Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” 1 Coríntios 5:21.

A ressurreição de Cristo é a páscoa que comemoramos, o túmulo vazio aquece nosso coração e sustenta a nossa fé, pois onde não há a presença do cordeiro determinado por Deus, o juízo é aplicado. Se o povo hebreu sacrificasse outra coisa em lugar do cordeiro, de nada valeria, e confiasse na sua própria justiça e pintasse as portas com tinta vermelha, seria uma simulação inútil e não funcionaria. A importância da Ressurreição de Cristo é porque ela:

1. Confirma a eficácia da sua morte substitutiva. Ele era verdadeiramente o cordeiro escolhido de Deus.

2. Demonstra que Jesus era o Cristo – o Messias prometido.

3. Demonstra o endosso Divino, à pessoa e à obra, ou seja, Jesus era o único que servia aos propósitos de Deus para a Salvação e sua obra redentora foi aceita.

Se Jesus permanecesse morto, se não tivesse sido levantado dos mortos pelo poder de Deus, nossa fé e pregação seriam inúteis e continuaríamos à mercê do juízo, conforme evidenciado pela carta do apóstolo Paulo: “E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.” 1 Coríntios 15:14 a 17.

Vale ainda destacar que a ressurreição de Cristo não foi como a de Lázaro, que tornou a morrer, mas Jesus inaugurou a ressurreição em glória, ou seja, inaugurou a transposição para a nova e definitiva natureza em novo corpo glorificado, confirmando as promessas de que a vida continuará por toda a eternidade ao lado de Deus. E, como diz as Escrituras Sagradas, todo aquele que o recebe com Senhor e Salvador também experimentará esta transformação, assim como descrito por Paulo aos cristãos da cidade de Filipos: “Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.” Filipenses 3:21.

Portanto, é isso que comemoramos na páscoa, não somos meros expectadores de uma festa ou ritual “judaico-cristão”, pois esta é também a nossa páscoa - “pessach”, e nela participamos como redimidos do juízo de Deus, pela morte substitutiva do Senhor Jesus Cristo. Assim, não permita que nada, nem ninguém, roube o verdadeiro significado de sua páscoa.

Boa Páscoa!

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