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Os Milagreiros e as 300 MPs de Lula

Assim diz o SENHOR, que dá o sol para luz do dia, e as e as leis fixas à lua e às estrelas para luz da noite, que agita o mar, que agita o mar e faz bramir as suas ondas; o SENHOR dos Exércitos é o seu nome.
Se falharem estas leis fixas de diante de mim, diz o SENHOR, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre.
Assim disse o SENHOR: Se puderem ser medidos os céus lá em cima, e sondados os fundamentos da terra cá em baixo, também eu rejeitarei toda a descendência de Israel, por tudo quanto fizeram, diz o SENHOR. (Jr 31.35-37)

O presidente Lula, nervoso com os congressistas, desabafou:

– Qualquer deputado, qualquer senador sabe que é humanamente impossível governar se não tiver medida provisória, porque o tempo e a agilidade que as coisas custam a acontecer muitas vezes é mais rápido que as decisões democráticas que são necessárias acontecer no Congresso Nacional.

E aproveitou para alfinetar seus adversários políticos:

– Se o Fernando Henrique podia [lançar mão das MPs], por que eu não posso? Todos os meus antecessores usaram. Por que não reclamaram antes?

O desabafo de Lula ocorreu após queixas de que as MPs trancam a pauta e impedem a votação de outras medidas legislativas. De 2003 a 2008, foram 300 medidas.
As MPs são baixadas pelo presidente e têm peso de lei, a partir do instante em que são publicadas no "Diário Oficial", antes mesmo de votadas pelos congressistas. Por lei, elas têm preferência absoluta na pauta de votação. Lula já editou 300 MPs desde 2003.

Quem governa com MPs, faz em nome da urgência e premente necessidade.
No entanto, tanto o excesso como a precipitação das medidas, podem desestabilizar a sociedade e destruir a credibilidade do Governo, como de fato ocorreu no governo Collor, com a edição da MP 168/90, que se tornou o maior calote governamental da história nacional.
A CPMF também fez enorme estrago no bolso do povo.

Será que Deus também considera impossível governar a natureza e as pessoas sem lançar mão de tantos de milagres? Pelo menos essa é a impressão que a gente tem, ouvindo a pregação dos pastores da TV Record.

Garantem que Deus passa por cima das leis naturais a fim de honrar suas promessas de cura, prosperidade e felicidade. Há, porém, uma condição: é preciso fazer o pacto de fidelidade ao dízimo.

O texto de Jr 31 mostra que leis físicas e ação divina são compatíveis e complementares. Leis físicas garantem a vida na terra; autoridades e leis civis, regem a sociedade (Rm13.1-7); os dez mandamentos (Ex 20), regulam a relação com Deus e com os nossos semelhantes.

Jesus ressuscitou milagrosamente Lázaro como sinal do seu amor, autoridade e divindade. Posteriormente, Lázaro morreu como qualquer outro ser humano. Paulo curou, mas ele mesmo não foi curado. Davi, o homem segundo o coração de Deus, foi à luta, não ficou esperando milagres confortáveis.

Devemos sim evitar os dois extremos: que os milagres nunca ocorrem ou que são acontecimentos cotidianos, a regra, o normal. Deus usa os milagres como desvio temporário do curso natural das coisas para o cumprimento dos seus propósitos. Se for da Sua vontade, pode curar instantaneamente um doente terminal, assim como pode usar a medicina para isso. Toda cura é cura divina.

Esperamos que tanto os milagres dos tele-pastores como as MPs de Lula sejam como deveriam ser: esporádicos, providenciais, benéficos, justos e redentores.

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