
Dia 26 de outubro haverá a votação em segundo turno para prefeitos. O que um candidato faz para ser eleito é algo a se pensar com muita atenção.
Para conseguir votos dança em cima de caminhão, toma café em copo com o fundo sujo e cheio de borra. Almoça prato-feito no bar com seus assessores. Come pastéis, quibes, cachorros-quentes, quindins, churrasco e pizza, sem direito a fazer cara feia ao perceber que tudo aquilo está fazendo seu colesterol ir às alturas.
É preciso também visitar escolinhas para fazer corpo-a-corpo com as criancinhas brincando de trenzinho; participar de debate na sala, vendo que a diretora da escola está feliz com sua presença e a criançada esperando o sinal de ir embora.
Aqui no Brasil candidato ateu não tem vez. Então agenda visitas a igrejas evangélicas, católicas, centros espíritas e pais-de-santo. Em cada uma delas se mostra o mais fiel dos adeptos, mesmo fazendo uma salada teológica.
Ser fotografado com crianças conta pontos; é indício de que gosta de crianças e, portanto, não é nenhum bicho-papão. Vale a pena abraçar e beijar crianças, mesmo sentindo o gosto salgado dos rostinhos suados com o sol do meio-dia.
Sem "preconceitos", dá bom dia a maluco, abraça bêbado e acena para desconhecidos, como se todos fossem amigos de infância. Tem sempre de estar com uns trocados no bolso, pois sempre vai aparecer aquela mãe com a criança no colo pedindo dinheiro pro remédio ou para comprar leite e aproveitar para falar mal do marido ausente.
Candidato bom vai a velório de quem não conhece. Não pode esquecer de chamar todo mundo pelo nome, sinal de boa memória. Abraça a viúva, os filhos, amigos e o coveiro. Uma lágrima é sinal de sensibilidade e solidariedade com a dor da família.
Pior ainda é enfrentar batalhões de repórteres, sempre com perguntas irritantes e indiscretas, e participar de debates com adversários ávidos em desqualificá-lo.
Assim, o caminho da campanha é longo, penoso e nem sempre recompensado. Se não conseguir, restarão as dívidas e a frustração do trabalho perdido.
Toda essa maratona dos candidatos recheada de adulação, sorrisos, abraços e promessas é freqüentemente objeto de chacota na mídia, justamente por parecerem demasiadamente artificiais.
A principal razão é a desconfiança quanto as reais intenções do candidato. Percebe-se algo de incoerente no discurso, que é bom demais para ser verdade.
Pessoalmente, acredito que ainda há candidatos sérios com boas propostas, todavia são poucos.
Quando vemos Jesus no meio do povo, notamos perfeita harmonia entre a sua pessoa e o seu discurso.
Do mesmo modo como os políticos, Jesus caminhava em meio à multidão, comia de tudo que lhe ofereciam. Sabia lidar com ricos e pobres, marginais, crianças, jovens, adultos, doentes, prostitutas, malucos, endemoninhados, políticos.
Seu prazer era pegar crianças no colo, abençoá-las e compará-las aos habitantes do Reino de Deus. Suas lágrimas por Lázaro e Jerusalém espelharam sua autêntica compaixão.
Aceitou ser adorado como Deus e perdoou pecados. Recusou ser proclamado rei, pois já era Rei dos reis. Seu governo não se limitou a quatro anos, mas por toda a eternidade.
Jesus procurou o povo para se doar, dar vida abundante e eterna. Suas palavras e atitudes mostraram que ele é o Bom Pastor. O Bom Pastor dá a vida pelas ovelhas, disse Jesus.