Ter ou ser de Jesus. Eis a questão!

Basta dar um rápido giro dentro de uma livraria e logo deparamos com vários livros que se referem a Jesus. Alguns desses livros têm como títulos: “Jesus, o maior executivo que já existiu”, “Jesus o maior psicólogo que já existiu”, “O mestre da sensibilidade”, “Jesus o maior homem do mundo” e “Jesus, o maior revolucionário”.

Há um best-seller que ocupa o primeiro lugar entre os livros de auto-ajuda e figura na lista há mais de 115 semanas. Trata-se do livro “O Monge e o Executivo”, de James Hunter. Outra obra de sucesso, do mesmo autor, é o “Como se tornar um líder servidor”. Trata-se da continuação do primeiro.

Em “O Monge e o Executivo”, o personagem John Daily é o gerente-geral de uma grande empresa. Um homem bem sucedido. Ele tem vida boa e confortável com sua mulher e seus filhos. De repente, percebe que sua vida se desestruturou. Rachel, sua mulher, sente-se infeliz e o filho age agressivamente. Sara, sua filha, com quem sempre teve relação próxima, está se distanciando dele. Diante dessa situação, John sente-se melancólico e retraído. John procura seu pastor, acatando a sugestão da mulher. O pastor recomenda que ele saia por uns dias para se recompor.
Ele deixa a fábrica e vai passar uma semana no mosteiro. Uma das razões que o estimula a fazer o retiro é saber que Leonard Hoffman está vivendo ali. Hoffman é ex-executivo de uma das maiores empresas dos EUA. Ele largou tudo e se tornou frade. Leonard tornou-se lendário nos círculos empresariais por sua habilidade para liderar e motivar pessoas. Foi capaz de transformar várias companhias à beira do colapso em negócios de sucesso. No mosteiro, Leonard dá aulas de liderança para John e outras cinco pessoas. Cada participante atua em setores diferentes. Todos ocupam cargos de liderança em suas respectivas organizações.

A principal mensagem do livro é que todos nós deixamos nossa marca nas pessoas. Marcas boas ou ruins. Todos podemos ser líderes. A questão é saber se as pessoas estão satisfeitas conosco. A satisfação ocorre quando lideramos com autoridade e não com o poder. Autoridade é a capacidade de influenciar pessoas. O modo como exercemos autoridade é servindo as pessoas. Só podemos servir satisfatoriamente quando somos motivados pelo amor. Trata-se de amor comportamental, não sentimental. Em outras palavras, o amor que tem como ingredientes, a paciência, atenção, autenticidade, respeito, altruísmo, honestidade, perdão e o compromisso.
O fundamento do amor é o caráter, que é a firmeza moral da pessoa. É o sinal visível de sua natureza interior. O caráter é moldado pelas decisões certas tomadas diariamente. Agir de forma correta com as pessoas, fazer o melhor para a empresa, família e os negócios.

James Hunter tem inspirado positivamente muitos profissionais e empresários. A humanização do ambiente do trabalho contribui de forma positiva para a produtividade das empresas.
Os ensinos de Jesus provaram ser verdadeiros e perfeitamente aplicáveis não somente na gestão empresarial, mas também em outras áreas da vida humana.
Hoje, psicólogos, educadores, filósofos e administradores usam os princípios universais ensinados por Jesus. Com isso promovem melhoria na qualidade de vida e ajudam a melhorar o mundo.
Tenho observado que esse livro também tem sido bastante divulgado entre pastores e líderes de igrejas. O propósito é o mesmo: dar os fundamentos da liderança servidora para facilitar e promover o crescimento das igrejas.

Tendo dito isso, levanto aqui a questão: Essa overdose de literatura abordando o tema coloca no mercado novo produto: os ensinos de Jesus. Agora, o consumidor que incorporar e aplicar religiosamente esses ensinos no lar, no trabalho e demais áreas da vida poderá ser chamado de cristão?
Para respondermos essa questão, temos que entender que, a princípio, os leitores buscam o aperfeiçoamento pessoal, não compromisso com Jesus. Isto por questão pragmática. O que se deseja, é reunir ensinamentos de vários mestres, entre os quais se destaca Jesus. A idéia é desenvolver um conjunto de habilidades que lhes permitam obter sucesso nas áreas onde atuam. Pegam o que cada um tem de melhor para formar o seu conceito particular de vida e mundo. No caso dos executivos, estes buscam a excelência na gestão empresarial.

É claro que há também excelentes profissionais e executivos cristãos. Agora, o que define um executivo cristão não é o quanto ele tem de Jesus, mas sim, o quanto Jesus tem dele.
Jesus disse: “porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”. Mt 6:21 Isso significa que se o nosso tesouro está na pessoa de Jesus, então Ele nos tem. Ser cristão é se entregar a Jesus. Há identificação visceral, e nao utilitária, com Cristo. Constitui-se uma relação de amor que se traduz em adoração e serviço ao Senhor.

Antoine de Saint-Exupéry, em “Piloto de Guerra” escreveu: “Quando um acaso faz despertar em nós o amor, tudo no homem se ordena de acordo com esse amor, e o amor traz-lhe o sentimento de extensão. O mesmo acontece com a música, quando tem beleza. O mesmo acontece com o simples cheiro do armário velho, quando desperta e entrelaça recordações. O patético está no sentimento de extensão”.

Exupéry descreve com muita beleza a estrada do amor. Pensemos, por exemplo, em um rapaz apaixonado pela moça. A vida dele passa a girar em torno desse amor. Pequenas coisas como uma foto, cartão ou o cheiro do perfume adquirem encanto especial, pois lhe despertam a lembrança e a saudade pela amada. Tudo que ele faz, como trabalhar duro ou adquirir uma casa tem como objetivo a realização do sonho: formar novo lar e compartilhar sua vida com a sua noiva.

De forma semelhante, quando nosso coração está em Jesus, toda nossa vida se ordena de acordo com esse amor. Amor que mexe com a gente a ponto de despertar em nós esse sentimento de extensão. Passamos a amar tudo o que se relaciona e Ele: a sua palavra, sua igreja, a verdade e a justiça. O amor desperta em nós o profundo sentimento que nos leva a conhecê-lo e fazê-lo conhecido de modo mais profundo e rico.

Concluindo, vimos então que os leitores desse tipo de obra procuram alcançar a excelência em seus trabalhos. Pegam o melhor de cada “guru” ou mestre. Com isso formam sua própria visão de mundo. Assimilam os ensinos de Jesus, mas não necessariamente o Senhor do ensino. O verdadeiro seguidor de Jesus lhe entrega o coração. Esse seguidor é chamado de discípulo, ovelha, servo e filhos de Deus. A vida do discípulo gira em torno de Jesus e tudo em sua vida se alinha aos interesses do Senhor Jesus. Isso o torna servidor do Senhor e, por extensão, servidor de seus semelhantes.

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