
Fico admirado como algumas pessoas mudam com o tempo. Recentemente andava pelo Shopping Center, quando vinha em minha direção um senhor acompanhado de uma mulher. Reconheci a mulher. Porém, o homem que a acompanhava...Estava tão diferente! Eu o reconheci, embora com cabelos grisalhos e aparência bem mais senil.
Mas as pessoas não mudam somente no aspecto físico. Mudam também de comportamento para o bem ou para o mal, dependendo das respostas que dão aos grandes desafios e às lutas que vão enfrentando ao longo da vida.
Adão é um exemplo de transformação radical. A historia dele se divide em antes e depois da queda. Deus disse: façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Com essa frase Ele deu inicio à obra. Fez um modelo humano usando como matéria-prima o pó da terra. Depois, soprou em suas narinas. Imediatamente passou a ter espírito, algo de divino, uma personalidade, uma individualidade. Um ser moral capaz de analisar, julgar e agir com base na sua consciência e relacionamento com Deus. Fez primeiro o homem, depois a mulher.
Deus dialoga com o casal. Ele os instrui, ordenando que domine e administre o mundo. São também orientados acerca da responsabilidade moral. Deveriam manter um relacionamento com o Criador baseado no amor. Um amor espontâneo, profundo e rico. Como símbolo dessa aliança, o Senhor colocou uma árvore no centro do jardim, cujo fruto não deveria ser consumido.
Bem, todos sabemos o que aconteceu. Quando confrontamos os dois perfis de Adão, ficamos abismados. Quanta diferença! O seu coração, antes puro, assimila entre outras coisas, o medo, a omissão, o egoísmo e a discórdia. Adão ficou desfigurado, quase irreconhecível. O humano tornou-se desumano.
Adão se desumanizou porque desviou seus olhos de Deus. Passou a olhar para baixo. Escondeu-se. O seu referencial não era mais o Criador, mas a criação. Esse foi o seu pecado. E assim tem sido os seus descendentes até hoje. Somos seus filhos e herdeiros.
Quando o homem explica sua origem a partir de si mesmo; quando torna-se capaz de ordenar o holocausto de milhões de pessoas; quando detona uma bomba nuclear sobre uma cidade sem necessidade; quando um pequeno grupo surrupia o dinheiro de todo um povo para beneficio próprio; quando vê o feto humano como um produto altamente rentável; quando a igreja financia projetos inconfessáveis em nome de Jesus, é porque está olhando para baixo.
Então, o próprio Senhor resolveu descer. Diminuiu-se. Tomou forma humana. E quando nos confrontamos com essa realidade e nos rendemos a ele, deixamos de ser estranhos e desfigurados. Passamos a ter uma identidade inconfundível: a de filhos de Deus. Nele, voltamos a ser, simplesmente, humanos.