
As fotos antigas geralmente despertam profundas reflexões. Por exemplo, se ver numa foto quando bebê. Creio que todos temos uma, mesmo que seja em preto e branco. Quando me vejo assim, identifico-me a criança, mas sinto, ao mesmo tempo, um certo estranhamento. Há uma distância muito grande entre o que fui e o que sou.
A reflexão me transporta a um tempo e um mundo que não existe mais, a não ser dentro de mim. Tenho, por exemplo, uma agradável lembrança da primeira escola, da professora e dos colegas. A escola municipal era uma casa feita de madeira, muito simples, no meio da roça. Infelizmente não pude terminar o primeiro ano lá. Minha família se mudou daquela cidade interiorana. Neste ano voltei lá. Para minha tristeza e saudade, a escola já não existe mais. Havia só um pasto deserto e um silêncio gritante. Não havia mais crianças brincando e correndo de um lado a outro. Onde estarão hoje aqueles colegas?
É interessante constatar que há amigos que ficam sumidos por décadas e, de repente, nos encontramos casualmente. Então a conversa é retomada no ponto em que tinha parado. Parece até que o tempo volta. O bate-papo segue animado como nos velhos tempos.
O tempo passa e a gente percebe que a vida é uma continuidade. O adulto de hoje tem uma dívida para com a criança de ontem. O meu futuro será assim também. Cada dia vivido é um tijolinho a mais, assentado no edifício da vida. Um dia vou poder ver esse edifício pronto, acabado. Nesse dia, que impressão terei dele?
A vida é uma só. Desperdiçá-la significa sofrer uma perda irreparável. A responsabilidade individual é enorme. A pergunta natural que surge é: como então levar à frente, com sucesso, esse projeto chamado vida?
Sobre essa questão, temos que aprender com a Palavra de Deus, que diz: “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo.” Fl 1.6
Jesus está fazendo uma grande obra na vida de cada pessoa. Ele veio a este mundo para buscar e salvar ao que estava perdido. Para isso deu sua vida por nós. Ele preparou o caminho da salvação para nós. Quando cremos e aceitamos esse fato e, arrependidos, entregamos nossa vida a ele, acontece um milagre. Uma obra dele é realizada. Ele nos inclui no seu reino. Somos elevados à categoria de filhos. Aí estamos prontos para sermos o edifício, a habitação do Senhor. Esta é uma decisão pessoal.
Jesus citou o exemplo da construção de uma torre (Lc 14). Antes de tudo é preciso sentar e calcular a despesa. Depois, verificar se os meios necessários para concluí-la estão disponíveis. Esse procedimento é imprescindível. Se o dono da obra iniciar o trabalho e parar na metade por falta de recursos, além de passar vergonha, vai sentir uma tremenda frustração.
Jesus estava explicando o que significa seguí-lo. O verdadeiro discípulo tinha que estar pronto para carregar sua cruz, renunciar ao seu egocentrismo e seguí-lo, deixando Jesus participar de sua vida em todas as áreas.
Quando deixamos Jesus trabalhar em nossas vidas moldando-nos como um mestre-de-obras por excelência, estamos cumprindo a sua vontade. O apóstolo Paulo fala que somos o edifício de Deus (I Cor 3.9), cujo alicerce é Cristo (Ef 2.20). E quem vai habitar em nós é o Espírito de Deus (v.22). Uma vida assim, sem dúvida, agrada a Deus.
Assim, se nossa vida for construída dessa forma, não precisaremos ter dúvidas quanto à garantia de satisfação no final da obra. Com certeza será uma excelente obra, e a impressão será a melhor possível.