
Você já imaginou o mundo sem porcos? Não haveria linguiça, salsicha, presunto, feijoada, bife e costelinha de porco, pernil, siu mei, chop suey, porco mu shu, sopa de wonton, yakisoba...
A culinária mundial, da mineira à chinesa, ficaria muito mais pobre e triste, pois tanta coisa gostosa que poderíamos degustar graças ao porco, ficaria fora das nossas mesas.
A verdade é que esse pesadelo está para se concretizar no Egito.
O Egito começou a sacrificar à força os rebanhos de porcos do país como precaução contra a gripe suína. A ONU considerou essa medida como "um verdadeiro erro", além de provocar revolta entre os criadores de porcos. O engraçado é que até agora não se registrou nenhum caso de transmissão do animal para seres humanos.
A decisão, anunciada na quarta-feira (29/04/09), agrava as tensas relações entre a maioria muçulmana do Egito e os cristãos coptas. A maioria dos criadores de porcos egípcios é cristã, e alguns acusam o governo de usar o medo da gripe suína para puni-los economicamente.
O início da operação foi marcado por confronto entre a policia e os criadores na capital Cairo. O governo não fala em indenização, mas prometeu restabelecer os rebanhos sob melhores condições higiênicas e em locais apropriados. Mas, do modo como o abate foi imposto, é difícil de acreditar nessas promessas.
Pois é. Os egípcios não sabem o que estão perdendo. Para o governo, e a maioria muçulmana (que não comem carne de porco), o “culpado” de tudo isso é o porco. Por esta razão querem banir do país essa praga :
– Ou matamos, ou eles nos matam – dizem eles.
Eles (os porcos) são bichos inteligentes. Sabem quando vão morrer! Você já viu quando o peão aparece com o facão reluzente diante do animal? Sai em disparada, guinchando de dar dó. Infelizmente os porcos não podem protestar a não ser grunhindo, o que para os humanos é ininteligível.
Mas o que importa? Mesmo que falassem matariam do mesmo jeito. Os egípcios sabem que o culpado não é o porco. O objetivo da matança é outro.
Massacrando os porcos estarão destruindo a economia dos cristãos, que representam 10% da população egípcia e são os mais pobres. Eles possuem cerca de 300 mil porcos em todo território egípcio.
O rebanho suíno é o meio de subsistência e com isso vão levando a vida. Ajudam a limpeza das cidades, catando restos de comida para alimentar os animais.
George Orwell, em "A Revolução dos Bichos", descreve os lideres do movimento bolchevista (Rússia) na figura de porcos que andavam sob duas patas, inteligentes, porém corruptos. Usufruíam de vários privilégios em detrimento dos demais animais que trabalhavam arduamente para manter a máquina revolucionária funcionando.
No final, os animais operários ficam estupefatos ao presenciarem a cena da confraternização entre porcos e humanos. O motivo do espanto era a transfiguração dos porcos em humanos.
Na fábula de Orwell, os porcos viram gente, mas no caso das autoridades egípcias parece ocorrer o inverso, pois estão fazendo muita sujeira, transmitindo ódio, desgraça e morte.
Bem disse Jesus que o que vem de fora não torna impuro o homem, mas o que sai de dentro dele. A lista inclui os maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias (Mt 15.19-20).