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Casa de ferreiro, espeto de pau

Todos conhecemos o ditado “Casa de ferreiro, espeto de pau”. Essa expressão é usada quando queremos dizer que uma pessoa é hábil para determinada coisa, mas não usa essa habilidade a seu favor. Por exemplo, o arquiteto que trabalha planejando ambientes chiques para seus clientes, mas deixa seu próprio escritório completamente bagunçado. Ou um cirurgião plástico que faz maravilhas em seus pacientes, mas ele mesmo é um completo desleixado.

Esse provérbio se aplica também às instituições. Não seria a igreja candidata?

Cristo deixou à igreja a sublime missão de cumprir o projeto que nasceu no coração de Deus. Jesus é a encarnação da promessa de libertação do homem. Liberdade do pecado, da condenação e da morte pela justiça de Deus. Jesus morreu pelos nossos pecados. Morreu em nosso lugar. O justo morreu pelos injustos. Uma vez pago o preço da queda (Gn 3), está aberta a porta para a nova vida, o novo nascimento anunciado por Jesus à Nicodemos (Jo 6). Jesus ordenou que essa mensagem fosse levada pela igreja ao mundo inteiro e para todas as gerações.

A igreja tem tudo para revolucionar o mundo. A cruz é o símbolo mais conhecido da humanidade. Pode ser vista em os lugares e existe há dois mil anos, muito mais presente que a marca da Coca-Cola ou MacDonald`s.
A mensagem que ela carrega é sedutora: encontrar a paz e amor por meio Daquele que é o “caminho, a verdade e a luz”. Quem não desejaria essas coisas?
Entre os diversos lideres religiosos, ninguém se compara a Jesus, o único que afirmou ser o Deus Infinito em forma humana. Suas palavras e ações endossam essas afirmações.

Então por quê ainda hoje tantas pessoas resistem a Jesus?

Acontece que muitas igrejas sofrem de amnésia. Esqueceram-se de quem são e para que existem.

Tiro como exemplo certa igreja que instalou enorme faixa com o seguinte título em destaque: “desencapetamento total”. Abaixo do titulo lista seus serviços de libertação contra olho gordo, inveja, doenças incuráveis, vícios, dividas, miséria, solidão, problemas amorosos, trabalhos ( de macumba, bruxaria, feitiçaria) e azar.

O meio para a cura prometida é a tal de “prece violenta”. Com esse apelo, certamente muitas pessoas desesperadas acorrerão ao templo na esperança de se virem livres de problemas tão graves que roubam a paz, o sono e a alegria.

Durante os cultos que mais se parecem com rituais de exorcismo os presentes são como que hipnotizados com a performance dos “pastores” que falam com ousadia, mas com duvidosa sinceridade. A certa altura do culto, todos são desafiados a dar um passo de fé que se traduz em ofertas.

Quanto maior a oferta, maior a benção, prometem eles. Então as pobres vitimas acabam dando tudo o que tem nos bolsos, certos de que Deus ouvirá suas preces. Assim Deus fica por fiador das promessas feitas pelos pastores. Se os coitados não receberem nada, também não terá importância. A culpa não foi dos pastores, nem de Deus. A culpa é de quem não teve fé suficiente para receber a benção.

Desta forma, a igreja tem não somente negligenciado sua missão de ser a testemunha terrena de Jesus, mas também se esquecido do grande potencial evangelizador que tem em mãos e andado por caminhos que envergonham o nome que carregam.

Resta comprovar na sabedoria popular que o ferreiro não usa espetos de ferro em sua casa, do mesmo modo a igreja não usa a Palavra de Deus como sua identidade para abençoar os povos.

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