Igreja conformada

A medida que uma metrópole vai crescendo, os velhos prédios vão dando lugar aos novos empreendimentos. Imóveis mais antigos são interessantes quando bem localizados. Podem ser demolidos e em seu lugar construir outros novos, com ótima valorização.

Nesses casos, é comum deparar com proprietários que se recusam categoricamente a vender o imóvel onde moram. Mesmo recebendo boas propostas, preferem continuar onde estão. O argumento mais comum que ouço é que depois de tanto tempo de residência, já estão acostumados ao ambiente. Toda rotina diária está esquematizada em função do local. Lá encontram tudo o que precisam para viver tranqüilamente. Tem a farmácia, a quitanda, a padaria, a clinica, o banco e o cabeleireiro.

As vantagens de uma mudança como o bom efeito psicológico, a possibilidade de aplicar o dinheiro em outros investimentos mais rentáveis, não os sensibilizam. O que acontece com freqüência é que a casa vai ficando isolada, destoando do padrão da rua. Podem até perder mais valor dependendo do que é construído ao seu lado. Então, é preciso estar atento ao momento certo de vender, sob risco de ter um bem encalhado para sempre com grande prejuízo.

Ao que parece, a igreja de Cristo também está entrando nessa onda. Ela está gostando de ficar onde está, mesmo sabendo que aqui não é o seu lugar. Ela está envelhecendo e perdendo a visão. Sente dificuldade de enxergar e de entender o que acontecendo à sua volta. Está se esquecendo de quem é, como quem sofre do mal de Alzheimer.

O motivo dessa acomodação é que ela pensa que tem tudo o que precisa ao alcance de suas mãos. Aos poucos ela está prescindindo da ajuda divina e da Bíblia, que lhe soa um tanto antiquado. Hoje as opções de assessoria são fartas e isto lhe parece bastante atraente. Está ficando mais prático. Oração de arrependimento, de confissão de pecados é humilhante. Hoje se fala em elevar a auto-estima para ter qualidade de vida. Para ajudar seus membros em crise basta um tratamento com ótimos profissionais na área da psicologia.

Para promover o crescimento da igreja, há os métodos de gurus como Peter Drucker, que são orientados para resultados. Se funciona para empresas, porque não funcionaria para igrejas?

A doutrina bíblica lhe parece muito radical e não consegue aplicá-la satisfatoriamente ao mundo pós-moderno. Hoje a palavra de ordem é contextualização. É mais elegante. Termos como pecado, condenação e inferno não agradam. Basta falar do amor, de tolerância, que é politicamente correto. Afinal, todos os caminhos conduzem ao topo do monte.

Em Efésios, a igreja é descrita como a noiva que vai responder ao chamado de Cristo, quando ele voltar no final dos tempos. Mas quando Cristo chamar a igreja, ela vai amar sua vinda?

Quando esse evento ocorrer será percebido pela sociedade? Ao que parece a segunda vinda de Jesus será bem discreta, quase imperceptível no primeiro momento. Não porque a vinda de Cristo não seja gloriosa, mas porque a igreja não vai dar o seu testemunho de fé e de vida. As igrejas continuarão cheias com seus pastores pregando a nova ordem religiosa e não as boas novas de salvação. Não perceberão o anúncio da chegada do noivo porque não entenderão a sua voz quando a ouvirem, posto que o que procuram nada ou pouco tem a ver com o projeto de Deus.

Jesus não deixou que o joio fosse arrancado do meio do trigo, sob risco de arrancar também o trigo. Apenas uma fração dos cristãos atenderá ao chamado de seu Senhor.

Em qual categoria cada um de nós se enquadrará? O que ele espera de nós é que permaneçamos fiéis (I Cor 4.2) e isto até a morte. Então receberemos dele a coroa da vida. O Senhor já é vitorioso desde a primeira vinda. Na primeira veio como Salvador. Na segunda virá como Juiz. Pense nisso.

“Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente, venho sem demora. Amém! Vem, Senhor Jesus!” Ap 22.20

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