
De acordo com o jornal regional, o telefone celular lidera o ranking de vendas para o Dia dos Pais. No entanto, os comerciantes sabem que a data não figura entre as mais rentáveis no ano. O termômetro do mercado mostra que o Dia das mães é mais popular que o dos pais. Seria isso indício de que as mães são mais queridas que os pais?
De certa forma isso é correto. Afinal, é a mulher que carrega a criança durante a gestação e essa proximidade continua ao longo da vida. Além do vinculo biológico, se estabelecem vínculos afetivos. A mãe tem um jeito singular de se relacionar com seus filhos.
Mesmo marmanjões como Antoine de Saint-Exupéry alimentava forte afeto pela sua mãe. Em suas cartas costumava chamá-la de mamãezinha: “[...] Mas saiba, mamãezinha, que você povoou minha vida de doçura, como nenhuma pessoa teria podido fazer. E, entre todas as minhas lembranças você é a que me dá mais refrigério, é aquela que mais desperta em mim. E a menor coisa vinda de você aquece o coração: a malha, as luvas; elas protegem é meu coração (Cartas à Mãe)”.
Por outro lado, o escritor omite palavras carinhosas a seu pai que, aparentemente, não o influenciou tanto quanto sua mãe. O pai do escritor está ausente do seu campo afetivo e de seus livros.
A ausência da figura paterna se tornou crítica na atualidade. Quando o núcleo familiar se quebra com a separação, geralmente os filhos ficam sob os cuidados da mãe. Isso ajuda explicar porque os filhos dão maior honra às mães.
Charles Mellman, psicólogo e psicanalista disse em entrevista à Veja (23/04/08) que o grupo familiar está desaparecendo, algo inédito na história. Em o “Homem sem gravidade”, constata que “o problema do pai, hoje, é que não há mais autoridade, função de referência. Ele está só e tudo convida, de qualquer modo, a renunciar a sua função e simplesmente participar da festa. A figura do pai se tornou anacrônica (p.34)”.
Esse anacronismo paterno fica evidente quando se vê pesquisas como do psicólogo Thiago de Almeida, da USP. As 900 pessoas atendidas ao longo de 24 meses tinham buscado ajuda justamente pela aflição de terem sido trocados por outro. A pesquisa mostrou que os homens traem motivados pelo “efeito novidade” e "aspectos lúdicos" e as mulheres, pela vingança. Essa mesma pesquisa mostra que 90% das mulheres se declararam fiéis a seus maridos até se virem traídas.
O pai é, então, o maior responsável pela destruição do lar. Não é de se admirar que a figura paterna é freqüentemente retratada de modo pejorativo em filmes e desenhos animados.
Quando Deus criou o homem, o estabeleceu como líder, dando-lhe autoridade para governar sobre a casa. Ele idealizou a continuidade da espécie humana dentro do contexto familiar, onde deixa o homem pai e mãe e se une a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne (Gn 2.24).
Ser pai é uma experiência incrivelmente prazerosa, mas ela traz consigo pesada responsabilidade. Se o futuro da família está nas mãos dos pais, o que fazer para que ela consiga brilhar num mundo onde imperam o individualismo, a infidelidade e o hedonismo?
Salomão disse que “o que foi é o que será; e o que se fez, isso se tornará a fazer: nada há pois de novo debaixo do sol (Ec 1.9)”. Isso mostra que o ser humano é o mesmo ontem e hoje.
Sendo assim, nós pais, podemos nos inspirar em antigos modelos de homens que tiveram muito sucesso na construção da familia.
José, filho de Jacó (Gn) é um deles. Esse homem tinha três características que o tornaram referência para todos que querem ser pais de verdade.
Em primeiro, José foi bom marido. Casou-se com a filha do sacerdote de Om, o que lhe foi grande honra. Sua alta posição foi conseqüência de sua integridade, inclusive na área sexual.
Recusou o assédio da bela mulher de seu antigo senhor na casa onde servia. José tinha consciência de sua responsabilidade diante de Deus e dos homens.
Também hoje os apelos sexuais estão dentro de nossas próprias casas em forma de Internet, TV e publicações. Ser íntegro e verdadeiro na nossa privacidade continua sendo grande desafio.
Em segundo, José era bom filho. Ele nunca se esqueceu de seus pais. Era-lhes submisso e cuidou de Jacó seu pai já muito velho e não se vingou de seus irmãos que lhe causaram tantos sofrimentos.
Em terceiro, José foi pai exemplar mantendo a unidade familiar e disciplina. Fazia questão de levar seus filhos para receber a bênção do vovô Jacó e destacar a importância da união familiar através da história, esperança do povo na Terra Prometida e fé no Deus de seus pais.
Intuitivamente os pais sabem como devem agir, mas sentem uma grande dificuldade. Certamente com José não foi diferente. Ele foi homem como qualquer um de nós. O diferencial é que José buscou forças em Deus. Sua vida pública e privada estava alicerçada na íntima reverência ao Senhor Deus. Ele deixou que sua vida fosse moldada de acordo com a expressa vontade divina.
Assim, nesse dia em que somos homenageados, é momento propício para profunda reflexão da nossa função. Os filhos precisam de modelos para alcançar a plena maturidade. Os pais também. O modelo perfeito está em Deus, que nos autoriza a chamá-lo de nosso Pai, quando O amamos fazendo a Sua vontade.