
O Dia dos Namorados brasileiro não tem nome de santo nem origem romântica como nos EUA, Itália, França, Reino Unido ou no Japão, onde os namorados se presenteiam em 14 de fevereiro, Dia de São Valentim.
Valentin, sacerdote cristão e médico, viveu no século III, sob o reinado de Cláudio II, imperador romano, que proibiu o casamento dos soldados por considerar os solteiros mais eficientes.
Sentindo compaixão pela situação desses homens, costumava celebrar casamentos às escondidas.
Preso e condenado à morte pelo imperador, Valentim se apaixonou pela filha cega do carcereiro enquanto aguardava a execução. Antes de morrer, despediu-se dela com um cartão assinado: "Do seu namorado". Milagrosamente a moça recuperou a visão e desde então a história inspira os apaixonados do mundo inteiro.
Já no Brasil, em 1949, o publicitário João Dória fez uma campanha direcionada para 12 de junho, mês fraco no comércio. O slogan "Não é só com beijos que se prova o amor" incentivou os namorados a se presentearem na véspera do Dia de Santo Antônio casamenteiro.
Hoje, as opções de presentes atendem consumidores de todos os gostos e bolsos. De acordo com o Procon-SP, os presentes mais requisitados são flores, cestas de café da manhã, eletroeletrônicos, peças de vestuário, restaurantes, hotéis, CD/DVDs e livros.
Os presentes dados ou recebidos têm grande valor emocional, mesmo que sejam de baixo custo. É que o amor traz consigo o sentimento de extensão.
Por exemplo: se o acaso faz uma mulher deparar com alguém usando o mesmo perfume do seu namorado, é provável que a suave fragrância desperte nela flashes de lembranças do amado, dos encontros, dos risos, das confidências descontraídas e também das sérias.
É por isso que quando uma relação se rompe, não raro, os ex-namorados se desfazem de tudo que receberam, banindo de si tudo que faça referência ao ex.
Embora receber presentes como provas de amor seja doce, pode terminar em amargura se não existir AMOR (escreverei em maiúscula para diferenciá-lo do conceito popular de amor). O AMOR é muito mais do que romantismo, paixão e sexo. A definição de AMOR se encontra na Bíblia, em I Coríntios 13, que em resumo aglutinam características como: respeito, compromisso, lealdade, bondade, compreensão, paciência e amizade.
Então, de nada adianta entulhar o quarto da pessoa que você ama com presentes, se ao mesmo tempo não investir no AMOR, cujos princípios alimentam a alma. Infelizmente muitos casais estão se esquecendo rapidamente disso, tornando previsível o naufrágio da relação. Percebe-se isso nos altos índices de divorciados, solitários e desiludidos que lotam as clínicas de psicólogos.
Assim, quando os namorados se resguardam, aguardando o tempo certo para usufruir plenamente os direitos de casados e os casados mantêm o brilho da convivência sob o mesmo teto, então estão vivendo o AMOR.
Vinícius de Moraes teve muita dificuldade de vivenciar o verdadeiro amor, no entanto, tinha consciência dos princípios do AMOR. Transcreveu habilmente os anseios dos apaixonados "nesta selva escura e desvairada":
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso – para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, pôxa! é de colher... –não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro – seja lá como for. Há de fazer do corpo uma morada onde enclausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada – para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o “velho amigo”, que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado para chatear o grande amor.
Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade – para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il fault, além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô – para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito – peito de remador. É preciso olhar sempre a bem amada como a sua primeira namorada e a viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista – muito mais, muito mais que na modista! – para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, estrogonofes – comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto – pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer “baixo” seu, a amada sente – e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia – para viver um grande amor.
É preciso tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que – que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada – para viver um grande amor.