
O amor, celebrado em livros, filmes e canções, mexe com o imaginário de homens e mulheres. Há 10 anos, “Titanic”, o maior sucesso de público e bilheteria de todos os tempos, arrebatava corações apaixonados.
Jack (Leonardo Di Caprio) e Rose (Kate Winslet) – o pobretão e a rica garota da sociedade – se apaixonam durante a viagem inaugural do transatlântico.
Esse romance é interrompido quando o navio se choca com o imenso iceberg. Juntos enfrentam o perigo, inclusive o malvado noivo. Metade dos passageiros morre sem conseguir lugar nos botes salva-vidas. Rose encontra o rapaz já moribundo na água gelada, faz juras de amor e assim ele desaparece lentamente nas profundezas do mar.
Muitas décadas depois, Rose volta ao local do naufrágio, ajudando os exploradores que descobriram os destroços do Titanic. Aí ela conta a sua emocionante história em detalhes à atenta platéia.
No final, ao embalo de “My heart will go on”, Rose, cuja indescritível saudade a faz sonhar com o amado todas as noites, vive um amor platônico, pois ela acredita que “o amor pode nos tocar uma vez e durar por toda a vida e nunca ir embora até nós partirmos”.
Se Jack estivesse vivo e casado com Rose, como estaria hoje o termômetro dessa paixão? Continuaria admirando Jack do mesmo jeito? O amor permaneceria intacto através dos anos, ou daria lugar à decepção?
Sonhos são importantes porque nos motivam a lutar por eles. Mas uma vez convertido em realidade, ocorrem mudanças. As emoções se estabilizam, o diálogo passa a girar em torno de assuntos domésticos como finanças, hábitos, parentes, trabalho, filhos e sexo. Isso é desejável, visto que ninguém suporta a indefinição por muito tempo.
Infelizmente muitos casais não conseguindo fazer essa transposição da paixão para o amor maduro, vêem a relação naufragar como o Titanic. Nesses casos, embora ainda vivendo juntos, mas entediados, descambam para a violência moral e física.
Maria da Penha Maia Fernandes sentiu isso na pele. Seu marido Marco Antonio, professor universitário, tentou matá-la duas vezes. Primeiro, com um tiro nas costas, alegando assalto. Na época (1983), ela tinha 38 anos e as duas filhas com idade de seis e dois anos. Ela voltou para casa paraplégica. Numa segunda tentativa ele a empurrou para o chuveiro para eletrocutá-la.
Marco, cujo julgamento anulado em 91 e só condenado em 96 a dez anos, foi preso em 2002, cumprindo apenas dois anos de detenção em regime fechado. Hoje está em liberdade.
A coragem de Maria da Penha foi recompensada. Em 2006, foi promulgada a Lei 11.340/06, que recebeu como apelido o seu nome. Ela impede, por exemplo, o encaminhamento do processo ao Juizado Especial – onde muitos casos acabam com o agressor pagando cestas básicas. Aumenta também a pena para o agressor em até três anos de reclusão.
O casamento necessita de elementos certos para continuar mantendo a beleza e o brilho. A dificuldade que muitos casais sentem é devido, em parte, às mudanças que a modernidade impõe ao relacionamento conjugal. Fatores como a crescente participação da mulher no mercado de trabalho, independência financeira e o nivelamento em grau de instrução contribuíram para mudar a tradicional estrutura do lar, onde o homem sempre exerceu o papel de provedor e chefe.
Isso exige do homem nova postura. Há dificuldade de redefinir o papel e muitos acham mais fácil impor sua autoridade pela força. Não é o melhor caminho para estabelecer o equilíbrio na relação conjugal, embora seja o método tradicional desde o inicio da humanidade.
Adão e Eva, nossos primeiros pais, viveram momentos de perfeita convivência, porém, a queda mudou tudo. O que era liderança amorosa do homem se converteu em dominação egoísta (Gn 3.16). O teu desejo será para o teu marido, e ele te governará, alertou Deus.
Jesus, o Deus-homem, veio como o novo Adão, único e perfeito, a quem devemos nos espelhar e seguir o exemplo. Ele foi mestre por excelência em se tratando de relacionamento.
Abordamos quatro situações onde Jesus nos ensina lidar corretamente com o sexo oposto, preservando o plano original de Deus para convivência com nossos semelhantes.
Em primeiro, a mulher samaritana. Naquele tempo era vergonhoso um homem dirigir-se à mulher em público. Além disso, samaritanos e judeus se detestavam.
Para piorar, a mulher era de má reputação. Jesus quebrou todas essas barreiras, tratando-a com dignidade, respeito, ajudando mudar de vida (Jo 4).
Em segundo, Maria de Betânia (Jo 12) despeja o nardo, perfume caríssimo, nos pés de Jesus e enxuga com os cabelos. Judas, irônico, faz comentário negativo. Cristo defende e honra a atitude da mulher, afirmando que “em todas as partes do mundo onde este evangelho for pregado, também o que ela fez será contado para sua memória”.
Em terceiro, Marta fica nervosa com Maria que, sentada, ouvia Jesus, deixando a irmã com os afazeres da casa. Ela pede que Jesus a repreenda e mande ajudá-la no serviço. Pacientemente o Mestre mostra que Maria agiu corretamente ao priorizar o ensino (Jo 11).
Por último, a mulher adúltera é trazida a Jesus para ser julgada. Jesus joga uma pedra na consciência dos acusadores, que tocados, vão se retirando aos poucos, a começar dos mais velhos. Permanecem apenas Jesus e a mulher. Nesse momento Jesus diz: “vá e não peques mais”. Ele não pisa naquela que já estava quebrada. Dá-lhe nova esperança e a despede (Jo 8).
Concluindo, vimos que o amor, cuja essência é compromisso, respeito, honra, paciência e perdão, tem origem em Deus, pois Deus é amor. Esse amor foi mostrado em Jesus. Nele temos a referência perfeita para que a vida conjugal prossiga insubmergível até o destino final.