
Vivemos a era das revoluções sociais, tecnológicas e biológicas. Percebe-se o impacto dessas revoluções na família brasileira. Pela última estatística do IBGE, aquela típica composição familiar com pai, mãe e filhos está diminuindo (49,8%). Outros arranjos estão ganhando mais espaço. Entre esses se destacam as casas com morador único (10,4%), os casais sem filhos (15,2%) e as mulheres solteiras com filhos (18,3%).
As mulheres ganharam maior participação no mercado de trabalho. Tornaram-se mais independentes. Mas isso também gerou alguns efeitos na estrutura familiar. As mães estão adiando mais a maternidade e diminuindo progressivamente a quantidade filhos gerados.
Apesar da emancipação feminina, 92% das mulheres, além de trabalhar fora, realizavam os afazeres domésticos. Para os homens essa percentagem cai para 51%.
De acordo com Bernardo Jablonski, autor do livro “Até que a Vida nos Separe – A Crise do Casamento Contemporâneo”, as mulheres reivindicaram o direito de trabalhar fora e conseguiram. Os homens, por outro lado, nunca pleitearam participação nos afazeres domésticos. Na maioria das vezes, quando o homem faz alguma tarefa, tende a encarar isso como uma “ajuda”.
Essa é também a realidade de muitos lares cristãos. A introdução da mulher no mercado de trabalho, juntamente com outras mudanças mexeram com a estrutura e o funcionamento da família. São pontos de tensão que pedem alternativas para promover uma re-acomodação. Podemos extrair da Bíblia as respostas para essa complexa sociedade? São respostas que ajudam a restabelecer a harmonia do lar? Cremos que sim!
Jesus disse que “passará o céu e terra, mas as minhas palavras não hão de passar” (Lc 21.32). Ao dizer isso, certamente ele tinha em vista os princípios da lei de Deus, seus propósitos e suas promessas. Princípios são válidos em todas as épocas, lugares e culturas. Há três princípios que podem ser aplicados como base para se criar um ambiente favorável, agradável e gratificante dentro dessa sociedade em constante mutação.
Em primeiro lugar, o principio da complementaridade. O homem e mulher são iguais, mas também são diferentes. O homem foi criado à semelhança e a imagem de Deus. Foi criado a partir de um molde de barro. Deus soprou nas narinas dessa “massa inerte” e este passou a ter vida. Uma criatura com corpo, alma e espírito. Depois Deus formou a mulher não do barro, mas a partir do homem. Em outras palavras, a mulher foi feita depois do homem, a partir do homem e para o homem (ser companheira). Deus pretendeu com isso uma certa liderança masculina. Paulo completa afirmando que, em Cristo, não há homem nem mulher (Gl 3.28), igualando os dois em dignidade, capacidade e inteligência.
Maureen Dowd, autora de “Os homens São Necessários? – Quando os Sexos Colidem” disse que a mulher “hoje procura uma mistura harmônica entre família e trabalho e o equilíbrio entre força e sexualidade. A geração pós-feminismo está buscando uma identidade. Antes a idéia era imitar os homens. Muitas tentaram, mas, obviamente não deu certo. Não somos homens. Não podemos fugir da nossa biologia de uma maneira tão fácil”.
Este princípio mostra que cada casal deve respeitar as diferenças e a individualidade de cada um. Diferenças não são necessariamente negativas. Muitas vezes o que nos atrai no outro (a) são as encantadoras diferenças.
Em segundo lugar, o principio da santidade do casamento. O casamento é idéia de Deus, ou seja, é mais que um contrato. Ele disse que “o homem deixará pai e mãe e se unirá a sua mulher e os dois serão uma só carne”. Assim, o casamento é uma união heterossexual, monogâmica, reconhecida publicamente e consumada com o ato sexual. Jesus endossou e completou o texto dizendo que o que Deus uniu, não separe o homem. Deus espera que o compromisso assumido pelo casamento seja mantido e enriquecido por toda a vida. Pedro orienta os maridos a tratarem suas esposas com inteligência, dignidade e honra (I Pe 3.7). Quando o casal tem a visão bíblica da santidade do casamento, se esforçará mais para tornar o relacionamento mais rico e profundo e duradouro.
Em terceiro lugar, o principio da renúncia. O casamento funciona bem quando este relacionamento reproduz o amor de Cristo para com a igreja. Em Efésios 5, Paulo ensina que o marido deve amar a esposa e ela respeitá-lo assim como Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.
Em outras palavras, a convivência sob um mesmo teto só se torna possível quando um pensa no outro mais do que em si mesmo. Poderíamos chamar isso de renúncia. Uma atitude. Significa deixar uma coisa menor por outra maior. Não o inverso como a maioria das pessoas pensa.
Concluindo, vimos que Deus fez o homem a mulher iguais em dignidade e inteligência, porém diferentes em muitos aspectos. O casamento é mais que um contrato, é invenção de Deus. O casamento funciona melhor quando há disposição de cada lado renunciar aos interesses próprios em favor do outro.
Jesus, o Senhor deixou a glória do reino dos céus, ao tornar-se humano. E enquanto viveu nesta terra tinha uma postura para completar sua missão. Ele disse: eu vim para servir, não para ser servido.