
No Antigo Testamento Deus foi, durante um longo tempo e pouco a pouco, dando-se a conhecer ao povo de sua aliança, especialmente através de seus mensageiros, os profetas, que normalmente introduziam seus oráculos com fórmulas como "A palavra do Senhor veio a mim, dizendo" ou "Assim diz o Senhor" ou "Ouvi a palavra do Senhor".
O próprio Jesus tratou essas declarações proféticas com muita seriedade. Ele encarava as Escrituras do Antigo Testamento como expressão do que seu Pai havia dito. As evidências disso são incontestáveis.
Primeiro, ele as obedeceu em sua própria vida e contornou cada uma das tentações do diabo com uma citação bíblica adequada.
Segundo, ele acreditava que as escrituras testemunhavam dele e se cumpriram nele, e interpretou sua missão à luz dos seus ensinamentos.
Terceiro, ele as citava, ao debater com líderes religiosos, como a autoridade última, a corte final de apelação. Seria inconcebível que nós tivéssemos sobre o Antigo Testamento um conceito inferior ao que ele tinha, pois "o discípulo não está acima de seu mestre".
Os autores do Novo Testamento tinham pelo Antigo Testamento o mesmo respeito que Jesus demonstrou. Paulo, por exemplo, diz que "toda Escritura é inspirada por Deus" (2 Tm 3.16). Isso esclarece que o significado de "inspiração" não é que Deus inspirou os autores a falar, mas que ele inspirou as palavras deles como se tivessem saído de sua própria boca.
É uma metáfora que representa de forma dramatizada a dupla autoria das Escrituras, isto é, que as palavras proferidas por Deus eram simultaneamente deles, assim como a deles eram concomitantemente de Deus.
Jesus não só acreditava no Antigo Testamento como tomou medidas para que se escrevesse também o Novo. Ele escolheu, chamou, capacitou, enviou e inspirou os apóstolos, dando-lhes um ministério paralelo ao dos profetas do Antigo Testamento.
As promessas que ele fez aos apóstolos no cenáculo são particularmente importantes. Por uma lado, o Espírito Santo iria fazê-los lembrar do que Jesus havia lhes ensinado (Jo 14.26); e, por outro, iria guiá-los por toda verdade que ele gostaria de ensinar-lhes, mas que eles ainda não tinham condições de suportar (Jo 16.12-13).
Essas promessas complementares quanto ao Espírito Santo e o seu ministério de lembrar e de ensinar se cumpriram principalmente quando foram escritos nos Evangelhos e depois as Epístolas.